Por Oswaldo Pepe
Toda vez que acontece um acidente provocado ou relacionado a uma empresa, quase que instintivamente começamos a traçar estratégias aqui na Art Presse: é um tal de comparar as sugestões de uns e outros, procurar denominadores comuns, estudar questões de timing, que veículos usar, quem seriam os porta-vozes mais adequados e por aí vai; vamos desenhando estratégias, planos A, B e às vezes, C ! É extraordinário trabalhar quando se gosta muito do que se faz, parece diversão.
No recente e tristíssimo episódio do vazamento de óleo no golfo do México, imediatamente nos pusemos a discutir a questão, como se a BP tivesse nos convocado (nas áreas de assessoria de imprensa e Relações Públicas). Minha primeira sugestão seria que o presidente da BP e família mudassem imediatamente para a região – para um porto pesqueiro, uma comunidade que estivesse sendo mais duramente afetada pelo desastre, algo assim. E de lá, ao lado das pessoas, procurasse estar presente. Que a maioria dos diretores mudasse junto, para as cidades mais afetadas, em cada cidade, haveria alguém importante da compania vivendo ao lado da população. Que se criasse imediatamente um fundo que fosse distribuindo antecipadamente recursos para as várias comunidades e suas instituições e assim em diante.
Mas, certamente, o problema da BP não é de Relações Públicas. Lembrei disto ao ler o excelente livro de Fernando Almeida: “Os desafios da Sustentabilidade”. Na parte I – ‘As Razões da Urgência’ -, Capítulo 4 – ‘O Panorama Atual Para as Empresas’ -, faz uma análise da situação e termina dizendo o seguinte: “ A proteção dos ativos, a manutenção da licença para operar e o controle adequado de questões relacionadas com responsabilidade civil compõem uma agenda de boa governança, gestão de risco e política de sustentabilidade. Incorrem em grave erro de avaliação os conselhos de administração que entregam a gestão dessas questões à área de relações públicas ou a departamentos encarregados de fazer filantropia e distribuir patrocínios culturais. Ou mesmo a “gerências de desenvolvimento sustentável” que operam isoladamente, sem condições de atravessar o conjunto da empresa. Sustentabilidade é transversalidade. Só será alcançada se for parte integrante da estratégia da organização”.
Que bela lição ! Em outras palavras, se quisermos salvar nosso planeta não vai ser com ações – bem intencionadas – de relações públicas. O buraco é muito mais embaixo e nós aqui, não podemos tudo.