QUEM LÊ (OU VÊ) TANTA NOTÍCIA?

O Facebook divulgou a lista dos 40 artigos mais compartilhados no Facebook em 2011, informa hoje o articulista da Folha de S. Paulo Nélson de Sá, em matéria publicada no caderno Mercado – “Jornal lidera lista de mais compartilhados – Galeria de imagens do terremoto do Japão do The New York Times encabeça ranking de repercussão no Facebook”.

A lista traz 10 artigos da CNN, sete do NYT, três do Washigton Post e uma do The Wall Street Journal. Há, como se vê, uma combinação entre veículos de mídia eletrônica (TV paga) e jornais. Mas, convenha, podem ser consideradas mídias “tradicionais”, certo?

O projeto Inter-Meios, mantido pelo Grupo Meio&Mensagem, informa que o crescimento do meio jornal no composto dos veículos de comunicação no Brasil foi de parcos 2,03% nos primeiros oito meses de 2011. Os jornais respondem por 12,3% do faturamento da mídia no Brasil que foi de 17,6 bilhões de Reais no mesmo período. É um número pequeno, modesto, que demonstra cabalmente que o segmento não apresentou um bom desempenho este ano.

Já o setor de TV teve um desempenho melhor em 2011, pelo menos até agora (oito meses), puxada pela TV paga (crescimento de 13,6%) e a TV aberta (3,8%), enquanto outra mídia “tradicional”, revista, cresceu 4%. O meio Internet cresceu 18,1%, o que é normal em se tratando de uma mídia iniciante.

Onde eu quero chegar com este post? Chamo a atenção para o fato de que a mídia tradicional continua sendo a principal formadora de opinião mundial. A lógica disso é que por trás de um jornal ou TV há uma marca de veículo (TV Globo, The New York Times, Meio&mensagem etc.) e uma marca de programa, de caderno, de seção (Jornal Nacional, capa do NYT ou coluna da Mônica Bergamo, por exemplo).

E o que caracteriza um veículo, um jornal? Um negócio que envolve um grupo de profissionais que têm (ou deveriam ter) critérios de edição, manuais do que pode ou que não pode ser publicado, estilos e – principalmente – filtros de edição!

Lembro da leitura do livro “A Arte do Papel”, de Alberto Dines, aliás, o meu primeiro chefe (quando fui secretário de redação da revista Shalom): jornalistas escrevem para jornalistas. Digo, o pauteiro escreve para o repórter que escreve para o editor, que escreve para o secretário de redação e que é lido, no dia (ou minuto seguinte, no online) seguinte pelo jornalista concorrente.

Para aqueles que professam o fim do jornalismo este tipo de notícia – a de que pessoas compartilham e multiplicam notícias da mídia tradicional – é o tipo de alento que deveria ser comemorado. E muito, principalmente pelos jornalistas, assessores de imprensa e profissionais de Relações Públicas.

Em um post futuro falarei aqui de outro público, também jornalista, que tem blogs – mas não tem filtros.

Por Ricardo Braga, Art Presse

A Art Presse é uma Consultoria de Comunicação que presta uma série de serviços como Assessoria de Imprensa e Relações Públicas

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